segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ANO NOVO, VIDA NOVA

A boa e velha Deitada-a-beira-do-mar, vista de cima, no ultimo dia  16 de dezembro; algumas nuvens no caminho, mas o futuro virá.


Fecham-se as cortinas. 2012, o ano cabalístico, em que o mundo ia acabar, está acabando. Pra uns finalmente, pra outros cedo demais. Enfim, foram 366 dias e quatro horas onde demos mais uma volta em torno do sol, onde rimos, amamos, choramos, odiamos, trabalhamos (não necessariamente nesta ordem!). Foi um tempo novo e absolutamente igual a outros que passaram como 1919, 1956, 1968 (este sim não terminou), 1978, 1994, 2005, e tantos outros anos atrás.
Em março, a tragédia de 2011 fez um ano, infelizmente sem muita coisa a ser comemorada. Na terrinha, no Reino-nem-tão-distante-assim, vulgo Deitada-a-beira-do-mar, foi um ano quente, de eleições pra prefeito. Muitas apostas foram feitas, e quem iria imaginar, em dezembro, o resultado das urnas de outubro?
Desejo ao João e ao Wilsinho o mesmo que desejei a Canduca quatro anos atrás: que vocês entreguem aos seus sucessores uma cidade melhor que a que estarão encontrando a partir de amanhã. Acho, sinceramente, que Canduca assim o fez: a Antonina que entregará a João & Wilsinho é melhor do que a que ele recebeu. Não é a Antonina dos sonhos, mas numa cidade em que poucos pagam IPTU e todos querem dar pitaco as coisas não podem ser melhores, infelizmente.
Para a blogosfera, que saiu muito arranhada e desiludida do confronto eleitoral, desejo força e um 2013 de mais crítica e discussão, onde tenhamos mais debatedores e menos anônimos. Este espaço precisa se renovar; que no próximo ano sejamos outros, mesmo ainda sendo os mesmos.
Para todos os seguidores deste blog modesto mas honesto um excelente 2013, com muita paz, alegria, saúde e prosperidade!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

ADEUS À GLÓRIA

Em celebração á data natalina, uma singela lembrança de um lugar na Deitada-a-beira do-mar dedicado à dar vivas ao  Senhor, mas que pelo visto não gostava da tal da Groria...

domingo, 23 de dezembro de 2012

É O FIM DO MUNDO...MAIS UMA VEZ!


Enfim, o mundo não acabou. No tal do dia 21 estava em Curitiba, trabalhando de caseiro pra meu enteado, Luciano, que foi viajar com a mãe dele pra Porto Alegre. Fiquei aqui na Republica dele, completamente vazia, com a cadelinha Biscoito e com o gatinho Café. Pra quem cuidou de muito bicho na infância, nada de mais. Pra quem cuidou de aluno o ano inteiro, um descanso. Biscoito faz uns cocozinhos no lugar errado, Café adora puxar as almofadas da sala, e só.
No dia do fim do mundo, dormi. Acordei só pra cuspir. Passou a tal hora do meio-dia, passou a hora das 2012, e tudo continuou igual. As pessoas de ônibus na Barão do Cerro Azul, as lojas abertas pro natal, uma chuva que se aprontou e caiu uma água "daquelas" no centro. Fiquei um tempo debaixo de uma marquise, achando que aquele era o fim do mundo. Que coisa, vivi tanta coisa pior que aquilo e o mundo ia acabar numa chuva de verão? Pois não acabou.
Passou a chuva e voltei pra casa. Biscoito, a cadelinha, estava no portão latindo, ensandecida, carente, querendo uns agrados. Café, dentro de casa, tinha derrubado umas almofadas e queria brincar com a vassoura que estava usando pra limpar as cacas da Biscoito. O mundo continuava ali, um vento fustigando as árvores, uns apitos aqui e ali, a cidade dormia, as luzes dos postes se projetavam atrás da sombra de uma araucária com um ninho de joão-de-barro no galho mais baixo.
Por que temos essa loucura de achar que tudo vai acabar? Anos atrás, foi o ano 2000, cercado de histórias macabras sobre as profecias de um tal Nostradamus, acompanhadas de perto pela histeria do "bug do milênio". Lembro, inclusive, de minha empregada, a Mercedes, que entrou em casa esbaforida certa manhã e apontou para o computador no meio da sala: “eu vi ontem no jornal Nacional: estas máquinas vão acabar com o mundo na virada do milênio!”. Ela falou com tanta raiva e veemência que corri a proteger meu pobre 486 pago a duras prestações no pré-datado de sua fúria assassina. No final, foi tudo uma bobagem, todos comemoraram ano novo normalmente e as empresas de informática que deram consultoria sobre o tal Bug e que faturaram montes.
Agora, o tal calendário Maia. Foi um estardalhaço, Hollywood faturou um blockbuster horrível em que mais uma vez se destruía Nova Iorque, só que sem a imaginação de Ossama Bin Laden.  Gringos loucos compraram estoques de comida e ficaram presos em bunkers esperando o tal do fim. Por outro lado, um monte de místicos e charlatões também ganharam um bom dinheiro com sessões de meditação espiritual para limpar a alma para a nova era. Sei...
Na Deitada-a-beira-do-mar, pelo que sei, tudo tranquilo. João D´Homero e Wilsinho preparam sua equipe de governo. Bó se mandou pra Floripa, onde vai se encontrar com Wilson Rio Apa, este sim um guru de respeito. Cequinel, o nosso Beato Rosnento, afina a voz para seu dueto de natal com Silas Malafaia (foi ele quem deu a noticia, em primeira mão aqui no blog!!). Luiz “Amigos do Jequiti” Henrique vai encerrar seu silencio obsequioso que já dura mais de um mês para anunciar sua contratação como goleiro do 29, com a benção de nosso ídolo Marcus Porvinha.
Este cronista, por outro lado, pede desculpas pelo desleixo com que tem tratado tão fina audiência. Mesmo não sendo politico, prometo um 2013 tão vibrante quanto 2012 aqui no blog. Já que o mundo não acabou em barranco pra gente morrer encostado, um 2013 cheio de trabalho, paz, saúde e alegria a todos. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

JOÃO D´HOMERO NÃO VAI SER EMPOSSADO!


Se o mundo acabar em 22 de dezembro, por causa do calendário Maia, acabou-se a brincadeira pra cerca de 5000 prefeitos e outro tanto de vereadores, que nem vão iniciar seus mandatos. Incluindo João D´Homero e seu invencível vice, meu querido Wilsinho. O mundo todo está com as barbas de molho. Indícios para isso não faltam. Lembrem, por exemplo, que o Corinthians foi campeão da Libertadores e já está em Tóquio. O jogo depois de amanhã será contra o Al Ahly, do Egito. Ou seja, os manos versus a irmandade (muçulmana). Tem indício maior do fim dos tempos?
Tem uns gringos loucos estocando agua, comida e, inexplicavelmente, dinheiro. Alguém vai querer, no fim do mundo, trocar uma Coca-Cola por qualquer punhado de dólares? Cada uma...
E na Deitada-a-beira-do-mar? Será que o mar vai pegar fogo? Será que a turma do litro vai subir aos céus num disco voador em forma de garrafa de plástico? O Beato Rosnento, enrolado numa bandeira do coxa, vai lançar um CD com o padre Marcelo Rossi?
Eu bem que tentei comprar uma passagem pra Cancun, pois dizem que lá vai ser o ultimo pôr-do-sol da terra, mas milhares de bichos-grilos compraram todas as passagens da Azul, da TAM e até da Varig pra ir pra lá. Acho que vou ver o fim do mundo da Terrinha mesmo. Me aguardem: eu chego pro fim do mundo!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O HOMEM ATRAS DA JAQUEIRA


Semana passada deu um vendaval danado por aqui. A amoreira em frente a minha casa não aguentou a força do vento e caiu, felizmente sem causar danos. Na sexta-feira minha mulher notou um novo galho rachado e mandou chamar os bombeiros. Estes vieram e cortaram também o novo galho, e colocaram os restos da poda no pequeno bosque em frente a minha casa.
Ontem de manhã fui até lá ver o galho, o tamanho que era. Ali também tem um imenso pé de guapuruvu, um eucalipto, varias jaqueiras e uma imensa paineira. Estava distraído com as jacas, que estão quase maduras, quando vi um ruído, de alguém me chamando. Olhei, olhei e a princípio não vi ninguém.
Depois, a voz chamou novamente: “pst, pst, aqui!”. Perto da jaqueira grande, quase na beira do pequeno córrego, um homenzinho de preto estava me chamando. Cheguei meio desconfiado, com essa violência por aqui, nunca se sabe. Mas o homenzinho de preto me perguntou, também desconfiado: “você morava na Rua dos Mineiros, em Antonina?”. Diacho! Rua dos Mineiros? Demorou pra cair a ficha que ele estava falando da atual Rua Coronel Libero, a rua da minha infância.
“fale lá uma coisa pra eles”, ele me disse, autoritário. Vi pela gola que se tratava de um padre, mas o que um padrezinho vestido de batina, tal qual o padre Buchman, estava fazendo atrás da jaqueira? “você está me entendendo, guri?”, perguntou o padre, olhando nos meus olhos. Seus cabelos eram agrisalhados, tinha a testa larga. Quem seria?
Educação, meu filho, educação! É isso que quero que diga lá pro pessoal de Antonina”, me disse ele, veemente.  “Mas quem é o senhor?”, perguntei. Ele me olhou espantado, com ose eu tivesse a obrigação de conhece-lo: “Sou o monsenhor”, respondeu o padrezinho. Olhou como se eu fosse um completo estupido, o que alias não estava longe da verdade. Eu não tinha a menor ideia de quem era o tal monsenhor. “Alias, quando colocaram o nome na rua”, continuou ele, “colocaram só como cônego. Mas quando morri, eu era Monsenhor, um cargo muito mais alto. Fale lá que precisam corrigir isso também!”. Os olhos do padrezinho mostravam uma certa magoa.
Foi então que me dei conta que estava diante do cônego (ou Monsenhor!) Manoel Vicente da Silva, um dos maiores oradores sacros do Brasil em sua época. Nascido na Deitada-a-beira-do-mar em 1851, foi para São Paulo, onde se consagrou como professor e pregador. Esteve no Maranhão por curto período de tempo, mas logo voltou à Sampa, onde deu aula e pregou até sua morte, em 1909. Era o vigário da paróquia da Bela Cintra quando faleceu, vitimado por uma gripe.
Esses novos governantes lá de nossa terra precisam compreender que Educação é essencial. Sem ela, nossa cidade nunca vai sair do atraso”, me disse ele, como num de seus sermões. Perguntei se ele conheceu Nestor de Castro, e ele fez que sim. “Era um bom menino, mas muito revoltado, só queria saber de política. Mas coloquei ele, pobre orfãozinho, nos melhores colégios de São Paulo”.
Mas o quê que o senhor quer que eu diga?” perguntei. Ele me olhou duvidando de mim, e disse: “Educação, meu filho, educação! Tem que educar todo mundo naquela terra. Filho de pobre e filho de rico. Os governantes tem que fazer disso uma cruzada! Tem que ter escola, professor, tem que ter tudo”. Comentei com ele que já havia muitas escolas na cidade, mas o ensino não ia lá essas coisas. Contei a ele dos últimos resultados do IDEB, no qual se mostra que o ensino na cidade havia mesmo regredido nos anos recentes. Monsenhor Manoel Vicente me olhou com pena: “Tem que reverter isso, meu filho. Mas sem esforço não se tem resultados. Milagres são com Deus. Mas acho que o senhor é desses livres-pensadores que não acredita em milagres, não é?”.
Ia explicar pra ele, mas ele começou a gritar, com se estivesse no alto do púlpito de sua igreja: “Vai lá, herege, que você é herege, eu sei! Mas sei também que nesse milagre você acredita: fala pra eles que educação é a saída!” e desapareceu como por encanto.
Quando voltei da mata, ainda atordoado com o encontro, meu celular começou a tocar. Tinha umas cinco ligações de Pai Zinho, meu guia espiritual. “Tinha um padrezinho querendo falar contigo, zifio! Tava tentando te ligar! Mas essas companhias telefônicas, também!”, me disse Pai Zinho, entre nervoso e aliviado ao mesmo tempo, pelo aperreio, mas vendo que o contato, afinal, tinha dado certo. “Acho que você estava fora de área, zifio”, disse ele, divertido. “Mas eu não!”.
Acho que é isso. O cônego (ou Monsenhor) tem razão: é preciso investir na educação, ou vamos continuar andando pra trás. Tomara que quem tenha o poder esteja sinceramente pensando nisso.

sábado, 1 de dezembro de 2012

O FIM DO ANO NA DEITADA-A-BEIRA-DO-MAR



03/12/1973    Fundada a Sociedade Esportiva Guará

11/12/1908    Falecia, no Rio de Janeiro, o Conselheiro Manuel Alves Araújo

11/12/1968    Criado o SAMAE – Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto

13/12/1784    Nascia, no Porto, Portugal, Antônio Vieira dos Santos

14/12/1884    A Princesa Isabel visitava a cidade de Antonina

16/12/1941   Cinco escoteiros partiam a pé para o Rio de Janeiro a fim de entregar mensagem ao Presidente Getúlio Vargas

21/12/1974    Falecia Honório de Oliveira Machado

28/12/1961   Inaugurada a Agência do Instituto Brasileiro do Café

31/12/1949   Inaugurada a Rádio Antoninense Ltda., ZYX-6


(Por Celso Meira)

domingo, 25 de novembro de 2012

E QUINDI USCIMMO A RIVEDER LE STELLE...

Dante e Virgílio prestes a escapar do Inferno enquanto o Coisa-ruim, o Sete-peles, o  Sem-Chinelo, faz seu desjejum vespertino (seria algum bugrino ou torcedor do Barueri ali nas garras do Capiroto?). Aqui na frente, a nossa direita, o São Caetano lamenta mais uma Temporada no Brasileirão do B


Estar no inferno é estar no inferno até o fim. Não há saída. No nosso rubro-negro caso, essa foi uma verdade quase cristalina. Ontem, no final da tarde, terminei o jogo de joelhos em frente ao computador (a televisão não transmitiu o jogo pra cá), sob os olhares de pena de minha mulher e de meu amigo Gusano. Uma grande angústia em meu peito me fazia sofrer a cada vez que ouvia um nome de jogador que eu não conhecia, a temer pelo gol que poderia nos precipitar de novo nas profundas do Inferno da Segundona.
Quando vi que acabou o jogo no Ecoestádio, minha mulher me abraçou e me deu parabéns, enquanto Gusano se recolhia ao fundo da garrafa. Não sabia o que pensar, o que falar. Dante Alighieri havia ido ao banheiro pra dar uma aliviada. O ectoplasma de Virgílio ali na sala a olhar os resultados finais do Brasileirão do B não dava refresco na abafada tarde campineira. Corri então até a porta da frente e gritei escancarado para a rua vazia: ”o Furacão voltou!”.  As folhas das árvores começaram a balançar, suavemente, num começo de brisa.
O jogo havia começado com pressão total do Furacão. Parecia que ia ser fácil. Acompanhando o jogo entre São Caetano e Guarani, aqui no Brinco de Ouro, estava tudo sob controle. Quando saiu o gol do menino Cleberson, tudo ficou mais tranquilo. Estávamos inclusive na vice-liderança do Infernal torneio. Dante estava impávido, e menino Arthur, o Rimbaud, saiu pra fazer um sanduíche  A estadia no Inferno estava por terminar.
Mas eis que surge um outro Arthur que começa a nos infernizar. Gol do Paraná. Grito indignado, minha mulher  vem me fazer cafuné. Apesar de colorada dos quatro costados, estava ali amorosamente cuidando do seu bagrinho rubro-negro, que sofria a cada investida tricolor. O carinho dela me confortou por um tempo. Aí o São Caetano acordou e começou o inferno.
Menino Marcelo perde o pênalti. Silêncio na sala. O imortal Paulo Baier dá novo alento ao time, e menino Manoel acerta outra na trave. Um ataque do Paraná e menino Cleberson tira uma bola de dentro do gol. A coisa estava feia. O Inferno dando seus gemidos e arrotos. Parecia que o próprio Coisa-Ruim, o Cata-Piolho, o Xexelento, estava por ali pra azangar nossa saída de seus domínios. Um ronco infernal, um bodum dos infernos, mas eis que o carinha de preto apita o fim. Agora sim!
Dante, logo depois, pôs a mão no meu ombro e me contou que, no passado, para sair do Inferno, ele e Virgílio tiveram que escalar as costas peludas do capeta. Este, mastigando um pobre coitado (seria um bugrino, ou um torcedor do Ipatinga?), não prestou atenção neles. Era um barulho e uma escuridão literalmente infernais, mas havia um pequeno orifício perto da cabeça do Bode preto, do Tisnado e, afinal, Dante e Virgílio “per quel camino ascoso/intramo a retornar nel chiaro mondo” [por aquele caminho asqueroso/voltaram de novo ao claro mundo]. Assim efetivamente foi, quando o juiz apitou o fim daquele inferno.
E o que aconteceu depois? Perguntei eu ao sagaz Florentino. Este me respondeu que, depois de sair daquele infernal pesadelo, “quindi uscimmo a riveder le stelle” [e então saímos a rever estrelas]. Emocionado, pespeguei um forte abraço em meu bravo consultor de série B.
O que vai acontecer ao Furacão, nessa nova fase? Não sei, estou ainda embriagado com a luz daqui de cima. O caminho vai continuar difícil, mas meu rubro-negro voltou. Quem sabe, pra ver algumas estrelas...

O FURACÃO VOLTOU!

a camisa rubro-negra só se veste com amor!

sábado, 24 de novembro de 2012

IT´S NOW OR NEVER!

Esquema geral do inferno de Dante, mostrando os últimos e infernais círculos de baixo, perto da casa do Capeta. O Sete-peles, o Coisa-ruim, o Bode preto, o Sem chinelo, o Nhô Lúcio, o Malfazejo, mora na casa 21-B, circulo 9, andar de baixo. Alguém aí toca a campainha? 

Hoje consegui voltar ao blog depois de quase duas semanas ausentes, por motivos de viagem e de acúmulo de trabalho. Neste meio tempo, entretanto, não deixei de seguir a saga do nosso querido rubro-negro rumo ao lugar que lhe cabe no latifúndio (produtivo?) da elite do futebol. Antes do jogo com o Tigre, lá na carvônica Criciúma, pensei em repetir o titulo da crônica anterior: agora seria “a vida em Criciúma”. Sim, ali o escrete rossonero lutava pela sua vida, assim como lutou no bravo jogo de Arapiraca. Não deu, não deu. Cada jogo é um, como diria o poeta.
Agora, o Inferno está no seu nível mais baixo, mais profundo e soturno. Ou dá ou não dá. Noventa minutos nos separam da subida para a série A ou o novo mergulho no inferno do brasileirão do B, o torneio do Capeta. Na nossa frente nosso velho conhecido Paraná Clube, o Paranito, o time-de-sete-caras, ou, melhor dizendo, o time-de-sete-times. Faz tempo que o time de vila Capanema não nos faz medo. Mas, cada jogo é um, e, no inferno da Segundona, o time rubro-negro aprendeu a deixar de fora toda Esperança, como bem ensinaram nossos consultores Dante Alighieri e Virgílio.
Além do jogo com o Paraná Clube, assistimos também o embate entre Vitória e Ceará, no Barradão, e principalmente Guarani e São Caetano, bem aqui nas minhas fuças, no Brinco de Ouro. Sabe-se lá que bicho vai dar. O Azulão começou a morrer na praia, mas se aprumou e grudou nos calcanhares dos rubro-negros baiano e paranaense. Precisa ganhar do Guarani e torcer para tropeços dos rubro-negros. Já o Guarani, que está sentindo o bodum da sulfurosa serie C sob seus pés, vai com tudo pra cima do Azulão e está vendendo ingressos a dois reais pra lotar o Brinco de Ouro justamente com aquilo que o time do São Caetano não tem, torcida. Será também uma partida épica.
O Drubsquem já escalou o time para o encontro no janguitão. Eu cá, chamei Dante e Virgílio, além de meu querido amigo Gusano, o verme da garrafa de mezcal, que acompanhou junto comigo nossa queda para os infernos, há um ano. Além disso, estão confirmados Sthendal, autor de “O Vermelho E O Negro”, grande tratado da alma rubro-negra, e o poeta Arthur Rimbaud, que passou uma breve estadia no inferno e também voltou pra contar. A nação rubro-negra hoje amanhece esperançosa com a volta para a serie A, embora saiba por experiência que não se pode ter esperanças no torneio da terra do Coisa-ruim, e que o caminho é duro e áspero, por gramados ruins e cheios de buracos, trilhado jogo por jogo, vencido passo por passo.
Agora, é só esperar que se abram as cortinas e comece o espetáculo. É agora ou nunca. 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A VIDA EM ARAPIRACA

Na beira do lago Cocito (quem?), demônios procuram pelos portadores de malas brancas e pretas;  são  as ultimas emoções na antepenúltima rodada do Brasileirão do B


Aqui em Campinas o tempo amanheceu chuvoso, com umas trovoadas ao longe. Agora mesmo, cai uma chuvinha daquelas bem safadas, que dá um sono, uma vontade danada de conversar com o travesseiro. Dou uma olhada na previsão do tempo pra Arapiraca, onde o Rubro Negro vai enfrentar o ASA de Arapiraca. Não, o CPTEC-INPE não prevê nenhum Furacão pra Arapiraca hoje. Diz que o céu está parcialmente encoberto com chuvas isoladas. Mas a temperatura máxima prevista é de 33º C, nada mal pra correr um pouco.
Depois dos erros do jogo de terça, que o Drubscky (quem?) atribuiu ao nervosismo dos jogadores, a historia agora é outra. Melhorar o passe e a inspiração para as jogadas, esse é o tema pro jogo de hoje, o segundo jogo na história entre Atlético e Arapiraca. No primeiro turno, um chorado um a zero lá no Gigante do Itiberê.
Hoje, o jogo vai ser no estádio Coaracy da Maia Fonseca, o popular “Fumeirão”. Não vai ser fácil, como nada foi fácil até agora no Brasileirão do B, o Torneio dos Infernos. Temos que derrotar o ASA, a Agremiação Sportiva Arapiraquense. Para hoje, o time alagoano, que é o único time do interior do Nordeste na série B, conta com os retornos do armador Lucas e do lateral-esquerdo Chiquinho Baiano. Segundo a dispensável Wikipedia  o ASA é o clube que mais conquistou títulos em Alagoas no século XXI e possui uma das maiores torcidas do estado. Dá um medo...
Por outro lado, o Mais Querido não terá seu xerife, o Menino Manoel, xodó da torcida, punido pelo terceiro cartão amarelo. O time ainda não está definido, mas não deve ser diferente do time que empatou com o America-RN no Janguitão na terça.
No entanto, as malas brancas continuam rondando o infernal mundo da série B. Diz-que, inclusive, o Atlético teria “inspirado” o Ipatinga a empatar com o São Caetano. Por outro lado, há também a noticia de que malas brancas andaram rondando os céus de Arapiraca. Não gosto disso de malas brancas. De malas brancas a malas pretas o passo é pequeno. Segundo nosso consultor, Dante Alighieri, no nono ciclo do inferno é onde estão os traidores a granel, tanto os de malas brancas quanto os de malas pretas, sofrendo com as agruras do gelo. No lago gelado, o Cocito (lembram o nosso querido e infernal Cocito?), as almas penam com bocas partidas pelo frio, assim como têm pés e mão geladas. Ficam vagando pelas águas geladas e muitos desfalecem, tendo partes do corpo devoradas por demônios famintos.  
Enfim, espero que o clima quente e chuvoso desta noite arapiraquense inspire os de listras verticais rubronegras. A chuva e o calor de Arapiraca são bem diferentes do que podemos encontrar a beira do lago gelado do Inferno. Não há como fazer previsões, como já nos disse Dante aliguieri, nosso infernal consultor. Cada jogo é um.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

VIVA A VILLA ANTONINA!


Hoje é seis de novembro, quando se completa o duocentésimo-décimo-quinto aniversário da elevação da Deitada-a-beira-do-mar como a Villa Antonina, em substituição à antiga Freguesia de N.S. do Pilar da Graciosa, ou, antes disso ainda, como a localidade da Graciosa. A Graciosa foi a boca do sertão onde, oitenta e quatro anos antes, o Capitão-mor Valle Porto mandou fazer uma capela, bem ali em cima da colina.
O local já era conhecido e devassado já fazia bem uns cem anos. Conhece-se carta de 1622 onde se diz que, na capitania de são Vicente, apenas a minas do Pernagoá davam algum retorno do capital investido. As famosas minas do Pernagoá, de que tanto se falou nos seiscentos, eram na verdade uma faixa de terra entre o Rio Sagrado e o Rio Sapitanduva. Algumas minas ficavam nas bordas da enseada de Guarapirocaba, ou no Rio da Faisqueira. A maior parte das minas, entretanto, que eram alguns garimpos de cata, ou seja, de ouro de aluvião, situavam-se no rio Cubatão, que depois do século XIX se chamaria Nhundiaquara. Ou seja, as minas do Pernagoá eram exatamente onde hoje temos as cidades de Morretes e Antonina e as “vilas” do Porto de Cima e São João da Graciosa.
Vila mesmo era o Pernagoá, a vila de NS do Rosário, situada nas barrancas do Itaguaré, que hoje se conhece como Itiberê. Era lá que tinha igreja, era lá que o padre rezava a missa e onde os cristãos eram batizados – Deus os livre de morrer pagãos! E isso significava andar horas e dias de canoa, só pra receber sacramentos. Na ausência de padres, quem precisava de extrema unção tinha que mostrar os documentos comprobatórios do arrependimento dos pecados direto pra São Pedro. Casar, então? Ninguém casava, se juntava. Viviam todos em pecado. Depois de anos, se aparecesse um padre por ali, era feita a "regularização da situação" perante Deus.
Depois que foi mandado fazer a capelinha, a gente da Graciosa, do Rio do Pinto e dos Treis Morretes deu de ficar topetuda. Não queria mais ir à missa em Paranaguá. Quando virou Freguesia, ou seja, teve padre que ali residia, os moradores daqueles sertões onde só dá bagre andaram de ficar hereges. Foram todos excomungados pelo padre parnanguara. O padre da Freguesia da Graciosa, por seu lado, soltou uma excomunhão contra o senhor seu Vigário de Paranaguá. Raios pra cá e pra lá, uma confusão dos diabos naquele fundo de baia. Olha, eu não estive lá, mas o Ermelino, que deu umas olhadelas, disse que foi uma briga danada!
Por fim, depois de muita pedinça, os moradores do fundão da baía puderam ser uma vila, puderam eleger eles mesmos seus camaristas (que aquele tempo trabalhavam de graça, viu?) e mesmo – horror dos horrores!– ter um pelourinho pra castigarem eles mesmos os seus escravos. Gente mais cruel e estranha, esses tataravós dos bagrinhos...
O dia escolhido pra isso foi um 6 de novembro. Chovia, fazia sol? Ermelino não contou. O que ele contou mesmo foi a alegria das pessoas da vila, que agora em diante, além de ter um padre pra cuidar das almas, tinham também uma câmara pra cuidar de seus interesses, que não eram poucos. O nome da freguesia mudou, pra homenagear o menino Toninho, o futuro rei de Portugal. Villa Antonina, não é bonito? Mal sabiam que o tal do Toninho ia morrer sem sair das fraldas e que quem ia nos governar era o Pedro, aquele caçulinha maluquinho ali, atrás da janela. E que seríamos brasileiros, e não mais os portugueses da América. Mas isso é outra história.
As cidades são assim. Umas surgem assim, outras assado. As vezes, não dá pra saber ao certo quando a cidade virou cidade. Buenos Aires foi fundada duas vezes, e só a segunda que deu certo. E daí? Nada contra Pedro de Uzeda e sua trupe. Mas eu gosto mais dessa outra história, de uma vila que se fez alegre a comemorar sua emancipação, mesmo com a tal autorização pra construir pelourinhos. Hoje, minha Antonina gentil é uma bela cidade: 215 anos com um corpinho de 214.
Viva a Villa Antonina e abaixo a escravidão!

domingo, 4 de novembro de 2012

SEM MEDO E SEM FUTURO

Na quarta fossa do oitavo circulo do inferno - os nomes lembram algumas fases do campeonato paranaense - Dante e Virgílio vêem o desespero das equipes que não alcançaram o G4; lá embaixo, subindo a Serra, não seria o Joinville? 

Dante Alighieri, nosso consultor em Inferno, nos alerta: não cabem profecias, nem adivinhações. No quarta fossa do oitavo circulo do inferno, lá bem pertinho da casa do Tisnado, os profetas e adivinhos fazem uma longa marcha, uma imensa fila um com as mãos no ombro do outro, todos com o rosto voltado para trás. Segundo Dante, no inferno estão condenados a olhar para trás aqueles que, em vida, quiseram olhar somente o futuro. Virgílio, seu guia durante sua infernal passagem, concorda, balançando gravemente a cabeça. Eu, agora, é que não arrisco mesmo mais nenhum prognóstico para as últimas rodadas do Brasileirão do B, o torneio do Cão.
Pois não é que o rubro-negríssimo conseguiu a sua mais importante vitória desse ano no Brasileirão do B, no jogo de seis pontos contra o são Caetano? O Azulão, que é um time do ABC, um aprazível local do planalto, teima em morrer na praia, mais uma vez. Azar deles.
Logo aos seis minutos, o lateral Maranhão olhou pra área e cruzou. Como diz mestre Tostão, gênio dentro e fora das quatro linhas, nada de chutão, nada de rifar a bola. Pois foi isso que o menino fez. Maranhão olhou, viu quem entrava e cruzou. A bola fez uma parábola no ar e caiu na cabeça de Marcão, o mulato matador. Marcão cabeceou para o chão e saiu pro abraço. Logo depois, aos 26, Elias, nosso profeta, numa cobrança de falta, põe a bola na área. No meio da área, Marcão sobe mais que a zaga e cabeceia certinho, pro chão. A bola ia fora, mas moleque Marcelo meteu os peitos e entrou com bola e tudo, antecipando-se ao goleiro Luiz.
Quando o São Caetano diminuiu, aos trinta do segundo tempo, tarde já era, como diria mestre Yoda. Moleque Marcelo, na frente da área, recebeu um passe do imortal Paulo Baier, que não é a previdência, mas desde a falecida CAPEMI faz assistência como ninguém. Moleque Marcelo recebeu o passe de Paulo Baier e meteu o kichute. E a bola foi morrer no cantinho esquerdo da meta do goleiro sãocaetânico. Tresaum.
Agora, na terça feira, 6 de novembro, no dia do duocentésimo-décimo-quinto aniversário da nossa querida Deitada-a-beira-do-mar, o escrete rubronegríssimo vai enfrentar o América-RN em pleno Janguitão, o popular Eco-estádio. É outro jogo do mesmo campeonato. Nada está ganho, mas também não há nada perdido. O São Caetano viaja e pega o vice-líder Criciúma, lá na terra do carvão. O Vitória, que já foi Leão, tem uma parada duríssima contra o Coelho, o América-MG, lá em Salvador.
Há que se jogar bola, como teria dito Machado de Assis, outro mulato que batia um bolão, mas na língua de Camões. Deve estar feliz o velho Quincas, suposto torcedor do Fluminense. Sorte dele, neste ano. Para nós outros, provisoriamente nas terras do Bode preto, do Tranca-rua, do Tinhoso, não há medo, mas também não há esperança. Nas terras do Malfazejo é assim. Pra sair dela, há que se defrontar com o pior a cada passo.
Na série B, cada jogo é como se fosse o último. E sem prognóstico.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

FINADOS


Hoje é, segundo a tradição, o dia dos mortos. Depois de uma semana muito quente, com temperaturas chegando a 37º C, o dia por aqui amanheceu nublado e com certa garoa. O típico dia de Finados. Se aqui está assim, imagino a bela Deitada-a-beira-do-mar, com sua bruma matinal e sua garoa insistente.
Faz muito tempo que larguei fora as tradições, assim como boa parte dos ensinamentos que tive, meio a contragosto, ali no alto da colina de N.S. do Pilar. Mas hoje, talvez pela tradição, talvez pelo tempo ameno e chuvoso, me pus a pensar nos meus mortos queridos. Meu pai, meus avós, meu tio Milton e minha tia Vilma. Meu amigo Eder, falecido prematuramente um ano antes de sua formatura, aos 22 anos. O bom e generoso Moacir Santos, mestre Muassa, um dos maiores geólogos que já conheci. Dona Laura, a alegre e doce dona Laura, a rir e achar tudo “ótimo”. Quanta gente querida brota dos pensamentos...
Percebo no ar certa vacuidade, um vazio, uma certa melancolia, a lembrar meus entes queridos. Saudades, esse é o sentimento que vem com a tal palavra que só se diz em português, em bom português.
Sinto muitas saudades de meu pai. Lembro que ele, apesar de ter sido um notório xodó de igreja velha, tendo estado a frente da reforma das igrejas de São Benedito e principalmente do Bom Jesus do Saivá, não era lá um homem de muitos ritos. Poucas vezes foi à igreja, quase sempre em celebrações de sétimo dia. Dizia-nos, por outro lado, ser adepto “do lado espiritual da coisa”, ou seja, do espiritismo, esse nosso espiritismo católico-cardecista tão espalhado por aí. Eu nunca conversei a sério com ele sobre isso, embora respeitasse sua crença.
Não acho que existam espíritos ou coisas do gênero. Nossa vida é uma luta contra o nada, contra o vazio. Ou preenchemos esse vazio ou o vazio nos preenche e nos inunda. O vazio é a banalidade da vida, essa vida que vai se escorrendo como um rio rumo ao mar, sem mais sentido que energias cinéticas e potenciais que vão se perdendo ou ganhando na trajetória. Nem mesmo a matéria existe, o que existe é uma profusão de partículas elementares circulando no vazio. Mésons, píons, múons, bósons, e mais nada.
Por que recordar os mortos? Não sei exatamente. O que sei é que a lembrança deles me toca e começo a ficar comovido feito as castanheiras da Amazônia, que choram quando são queimadas. A lembrança de todos é a saudade de um tempo que não volta mais, de um eu que não volta mais. Estou aqui lembrando de coisas e histórias que são minhas, só minhas, de minhas relações com meus mortos queridos.
Sinto-me um tanto ridículo, mas vou até a janela e acendo uma vela. E fico um tempão olhando ela queimar. Lá fora, as arvores e passarinhos nem estão aí pro meu chororô. Tambem não ligo pra eles, e sigo perdendo -perdendo? - um bom tempo pensando em como é parecido – a vela queimando - e a vida, toda ela  inútil, que se esvai.
 Gusano, meu amigo, onde você se enfiou?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

ANTONINA EM NOVEMBRO!


04/11/1920   Nascia, em Rio Branco do Sul, Salvador Graciano (Nhô Belarmino)

06/11/1797   Instalada a ‘Villa Antonina’ pelo Dr. Manuel Lopes Branco e Silva, Ouvidor Geral e Corregedor da Comarca de Paranaguá

06/11/1830    Nascia, em Morretes, Antônio Alves de Araújo (Comendador)

07/11/1797    Primeira eleição em Villa Antonina para camaristas e juizes    ordinários

10/11/1971    Lei Estadual 6249 revoga a Lei 5783/68 e o porto de Antonina volta à      tutela de Paranaguá com a recriação da APPA

13/11/1944    Fundada a Liga de Defesa Contra a Tuberculose

15/11/1982    Falecia o Dr. Romildo Gonçalves Pereira

22/11/1999    Inaugurada a sede do Corpo de Bombeiros


POR CELSO MEIRA

terça-feira, 30 de outubro de 2012

A CADEIA DE ANTONINA É A IMAGEM DAS AUTORIDADES DAQUELE LUGAR


(encerram-se aqui as aventuras de Ave-Lallement pela Deitada-a-beira-do-mar em setembro de 1858; ele reclama do seu "hotel" numa barbearia e narra seu encontro com um alemão preso na cadeia de Antonina. Faz comentários nada elogiosos sobre a Cadeia e sobre a Justiça e as autoridades do lugar. Finalmente, ele fica feliz pois o tempo melhora e ele pode ir embora da cidade. Ao que parece sem nenhuma saudade...)
Realmente horrível a minha estada em Antonina. Na casa do barbeiro, tudo vulgar, tudo reles e em parte alguma se podia evitar essa vulgaridade. O homem pode ter sido marinheiro num navio negreiro. Esteve evidentemente na costa da África. Na sua miserável casa ocorriam as maiores misérias: palavras injuriosas sobre os hospedes que não pagavam ou de hospedes aos quais se reclamava dinheiro excessivo. Ali entravam e dali saíam figuras esquisitas, ainda que entre elas assomassem algumas sofrivelmente decentes. Se quisesse por no papel o que lá observei, poderia sair um vivo esboço para um romance.
Cheguei como um mensageiro de um mundo melhor, embora ninguém me conhecesse em Antonina, salvo um médico que estava na cadeia.
Era o pobre diabo de um meclemburguês[1] e, a falar a verdade, não era médico, mas um tecelão, chamado Muller. Dou o nome sem hesitar, porque afinal toda a gente se chama Muller!
Negociara com a célebre droga de Leroy, prejudicando, talvez, na vila de Antonina, os interesses de alguém que fizesse o mesmo negócio. Quando o levaram perante o presidente da Câmara Municipal e não quiseram reconhecer seu documento de identidade de Meclemburgo, o tecelão, que com ninguém podia entender-se, rasgou o documento na presença dos “Senhores” reunidos. Isso lhe foi levado muito a mal.  Foi denunciado criminalmente e devia ir a Júri, a reunir-se seis meses depois. Não há no lugar uma só pessoa que conheça ao mesmo tempo o alemão e o português. Considerei então meu dever comunicar o caso ao cônsul geral do Meclemburgo no Rio de Janeiro e ver se era possível ajudar o homem metido no horrendo calabouço.
A masmorra onde está o homem é realmente uma coisa atroz. Como se pode suportar tal coisa? A cadeia, a penitenciaria de Antonina, é um monumento tão vil que não há expressão para denomina-lo. Tenho bastante paciência com as fraquezas, deficiências e injustiças que encontrei durante minha viagem. Mas há condições que é preciso levar ao pelourinho da opinião publica. A cadeia de Antonina é uma dessas condições, uma imagem da humanidade e justiça das autoridades daquela cidade.
Enfim, a 14 de setembro, cerca de meio dia, apareceu ao longe, ao leste da baia, o vapor “Paraense”. Nunca sai de um lugar de tão bom grado, tão alegremente quanto de Antonina. Como despedida, fui ainda muito explorado pelo barbeiro, mas de boa vontade paguei ao sujeito, pelos três dias em sua ordinária tasca, os 18 mil réis reclamados (14 táleres prussianos) e fui para bordo do vapor.




[1] Segundo a sempre confiável Wikipedia (em inglês) Mecklenburg (baixo alemão: Mękelnborg) é uma região histórica no norte da Alemanha  compreendendo a parte ocidental do estado (província) de  Mecklenburg-Vorpommern. As maiores cidades da região são Rostock, Schwerin, e Neubrandenburg. Naquela época, era uma das mais pobres e atrasadas regiões da Alemanha. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

OU VAI OU RACHA!

Dante e Virgílio indo comprar ingresso pra Atlético e São  Caetano, pelo Brasileirão do B; o  Azulão está morrendo na praia, mas não vai entregar fácil a rapadura. 


O Inferno, que meu perdoe seu inominado proprietário, é um lugar muito gozado. Percorre-lo não é fácil, já sabemos todos os que acompanhamos o Mais Querido em sua saga pelos territórios do capeta. Rimos muito, embora a maior parte do tempo a gente ria pra não chorar, é claro. Caminhos estranhos, entradas falsas, precipícios, fossos profundos, pântanos cheios de animais peçonhentos. Mas ainda pode piorar.
Marcar um jogo para as 14 horas, horário de verão, como foi marcado para Atlético e Guaratinguetá, no ultimo sábado, é de lascar. Devido aos mefistofélicos arranjos entre a CBF e as emissoras de TV, o jogo foi colocado no horário da sesta do capeta, o qual, tinhoso como é, não teria que correr os 90 minutos abaixo de sol como os dois times. Escuto, neste barulho infernal, a voz esganiçada da Poliana comentando o assunto: “ainda bem que não foi em Paranaguá, tia Polly!! O calor ia ser bem maior, né?”. É.
Mas, enfim, tudo acabou dando certo para o Drusbsky e seus comandados. Elias, nosso grande profeta, mais uma vez iluminado, foi quem abriu o placar, escorando lindamente um cruzamento de Marcelo. Depois de muito sol e suor e lágrimas, já no finalzinho, eis que Paulo Baier, oportunista desde a travessia do Mar vermelho (e preto), aproveitou uma bola na trave num chute de Felipe e guardou a sua lá dentro. Minutos mais, mulato Marcão, mostrando moral, municiado no meio-campo, matou o marcador e, na meia-lua, meteu com maestria. Matou o match. Maravilha, meninos.
Segundo Dante, no nono ciclo do inferno, o lugar mais quente das redondezas, é onde mora o Capo-de-tuti-capi, o Coisa-ruim, o Bode-preto, o Capiroto. Os leões de chácara de "Nhô Lúcio" são três  gigantes: Nembrod, Efialto e Anteu. Que zaga eles dariam...mas Dante explica que eles são, na verdade, a comissão de recepção ali nas profundas. Eles te recebem em geral bem, primeiro com umas bolachas. Na cara. Depois de um tépido banho de varas e um mergulho numa piscina de formigas Içá, o freguês é convidado para um cititour pra conhecer os quatro rios do Inferno: Aquerão, Stige, Flegetonte e Cocito.  É preciso atravessá-los todos para sair dali. Fico pensando em como deve ser difícil passar pelo Cocito...
Agora, estamos penetrando nos locais mais profundos do inferno deste Brasileirão do B. Sábado que vem é um duelo de vida e morte contra o São Caetano, nosso conhecido e nem sempre fácil Azulão. No Anacleto Campanella. Esse ano eles nos ganharam, lá no gigante do Itiberê, alguém se lembra? Naquele tempo a nossa  squadra rossonera era ainda uma pálida brisa. Será que agora vai?
Quem ganhar – o caminho é sempre longo neste estranho mundo - pelo menos estará nas cercanias dos degraus mais profundos do inferno. É lá, neste lugar sulfuroso e aterrador, nos fundos da casa do capeta, que está a saída, segundo nosso consultor Dante Alighieri. Nós ainda temos depois disso o América-RN, no Ecoestádio. Eles, o São Caetano, tem o Tigre pela frente, lá na gélida e carvônica Criciúma.
Jogo a jogo...

sábado, 27 de outubro de 2012

MEDALHA DARIO NATAN


Geólogos recebem a Medalha Coronel Dario Natan
"Em 08/10/2012, a Defesa Civil do Paraná concedeu a Medalha Coronel Dario Natan Bezerra para nove pessoas em reconhecimento aos serviços prestados à população do Litoral, atingida pelas fortes chuvas de março de 2011.
Além da primeira dama do Estado, Fernanda Richa, e autoridades civis e militares, receberam a Medalha, das mãos do Governador Beto Richa, o Diretor-geral do Instituto das Águas do Paraná, geólogo Everton Luiz da Costa Souza e o geólogo da MINEROPAR, Rogério da Silva Felipe.
A AGEPAR congratula-se com os referidos profissionais pelo destaque e reconhecimento alcançados, que certamente contribui para, cada vez mais, valorizar e fortalecer a profissão de geólogo no âmbito da Sociedade Paranaense. Aos associados Everton e Rogério, os nossos parabéns.
Geólogo ANTONIO MANUEL DE ALMEIDA REBELO
Presidente da AGEPAR (2011/2013)"

NE - como geólogo e como antoninense...que orgulho!! uma medalha (ver aqui) com o nome de nosso querido Dario Natan Bezerra, precocemente falecido; e por outro lado,   a medalha recebido por meu amigo Rogério Felipe, da MINEROPAR. Rogério,  juntamente com o geólogo Diclecio Falcade, foi o responsável técnico pela evacuação do bairro do Laranjeira em 11 DE MARÇO DE 2011, evitando  que a tragédia fosse ainda maior. Atenção vereadores: Rogério e Diclecio já são cidadãos eméritos da Deitada-a-beira-do-mar, só falta a Câmara Municipal reconhecer isso. 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

DEPLORO CADA MOMENTO EM ANTONINA



(continuam as aventuras de Ave-Lallement pela Deitada-a-beira-do-mar em setembro de 1858; aqui ele conta o sufoco que passou enquanto esperava um navio para Santos  retido pelo mau tempo na baía. nesse tempo, lamentou profundamente sua hospedaria, na casa de um barbeiro capelista!)

Quando entrei no lugar, não sabia, na verdade, para onde dirigir-me. Mostraram-me a casa de um sapateiro, o único alemão domiciliado em Antonina; porque o outro alemão, morador ali, estava na cadeia por ter praticado ilegalmente a medicina.
Agradar-me-ia ter seguido de canoa, naquela mesma tarde, para Paranaguá, mas mo impediu um forte sueste; e, como não há hotel no lugar, o sapateiro mandou-me a casa de um barbeiro, com uma alusão de que o homem havia de parecer-me uma espécie de Fígaro.
O barbeiro indicou-me uma cama num quarto atrás do salão da barbearia, onde havia mais outra. Muito me desagradou o local, mas sobretudo o pensamento de que já as 2 horas da manhã seria despertado para velejar, com o terral, para Paranaguá.
Entrementes entraram na casa vários jovens, inclusive alguns de Paranaguá, que consideravam a casa como um café. Um deles, jovem bem educado, estivera, a serviço da marinha portuguesa, na Índia e na África e participara da celebre catástrofe no navio de linha “Vasco da Gama”[1] à entrada da baia do Rio de Janeiro em 5 de maio de 1849. Bem como outros senhores, ele me conhecia de nome; palestramos sobre astronomia até pelas 11 da noite.
Quase não cabiam os hospedes na pequena casa do barbeiro. Que saudade pensava eu em nossos ranchos frios e úmidos na Serra Geral!
O pensamento de que breve seria despertado para fazer uma viagem noturna num barco aberto pela baia de Paranaguá fez-me lembrar de que antes tivesse ficado como sapateiro alemão e me alojado em sua pequena oficina. O sofrido Ulisses morou em casa de uma pastora de porcos, o rei Davi alojou-se numa caverna, razões bastantes para que eu desejasse a casa do bom sapateiro.
Para não estar dormindo no momento em que me viessem despertar, não adormeci. E durante a noite mudou o tempo; a baia começou a marulhar e quando me levantei de manhã me disseram o que há muito eu já sabia, isto é, que com tal tempo não se podia navegar as cinco léguas na baia até Paranaguá. E como no dia 13 o vapor deveria regressar a Paranaguá e Antonina, para seguir, via Cananeia e Iguape, para Santos e Rio de Janeiro, resolvi acomodar-me com o lado mais amável das pessoas e circunstâncias que me cercavam e aguardar o vapor em Antonina para continuar a minha viagem, tanto mais quando ele costuma voltar daqui para Paranaguá e ali ficar algumas horas.
Muito incômoda me foi, algumas vezes, a falta de hotéis, sobretudo quando me punha em contato com pessoas insuportáveis. Em cidadezinhas solitárias e remotas, em distritos longínquos, onde não chegam viajantes, pode-se não esperar não esperar estalagens, mas em cidades do litoral, em pontos terminais de importantes estradas comerciais, o europeu instintivamente as procura e não compreende como o espirito de especulação seja tão pequeno que não empreenda um negocio que decididamente tem de render dinheiro. No meu dia de descanso em antonina, um domingo, éramos sete hospedes ao almoço. A comida lamentável, a louça e o serviço de mesa muito maus, bem como toda a casa, uma casa térrea com uma porta, uma janela para a rua, o salão de barbearia ao lado e que mal teria espaço para a pequena família.
Mas o Fígaro da casa não sentia o menor constrangimento. Segundo uma declaração, uma alusão que fez, ele conhece no lugar muitos locais para gente jovem, inteiramente a maneira do antigo Oriente.
E todavia a tonstrina[2] do homem também me recordou a Grécia e Roma. Ele ficaria bem em muitas comédias de Plauto e Terêncio. Varias conversas, que escutei, lembravam-me um Antifo e as amabilidades de Fânio, o célebre Fanny de Terêncio. Houve conversas, à mesa, que já se encontravam no banquete dos sofistas de ateneu, apenas com mais graça grega. Um cinzento tempo chuvoso me obrigou a ficar, fastidiosamente, quase o dia inteiro, numa casa onde não dispunha de um quarto para mim e estava exposto ininterruptamente a tudo o que me aborrecia.
Deve ser esta a razão por que em Antonina me senti mais desagradavelmente do que em toda parte e deploro cada momento que tive de passar ali a mais do que era necessário.
Com verdadeira ansiedade aguardava a chegada do vapor “Paraense” para com ele e nele poder sair dali.




[1] 05/05/1849 - salvamento da Nau Vasco da Gama. No dia 05 de maio de 1849 o Vapor D. Afonso, sob o comando do Capitão-de-Mar-e-Guerra Joaquim Marques de Lisboa, foi ao encontro do barco lusitano Vasco da Gama, que encontrava-se em iminente perigo de naufrágio nas imediações da barra do Rio de Janeiro, submetido a um violento temporal. Depois de 18 horas de luta com os elementos da natureza, conseguiu trazê-la para dentro da Baía de Guanabara.
[2] tonstrina - barbearia

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

UM LEÃO POR DIA



Depois de matar o Leão Baiano, Dante observa  um leopardo no caminho do Furacão 
Bem que se diz que, hoje em dia, é preciso matar um leão por dia. No sábado, o Furacão fez a sua parte: em pleno estádio Manoel barradas, o popular Barradão, se impôs e venceu o Leão baiano, o perigoso Vitória da Bahia.
Pra ficar mais evidente ainda o caráter épico do confronto, tivemos a infelicidade de estar em inferioridade numérica, na maior parte do segundo tempo, por força da expulsão de Pedro Botelho aos onze do segundo tempo. Ainda uma simples brisa, e ainda longe do Furacão de outros tempos, o time fez um primeiro tempo cauteloso, apostando sobretudo nos contra-ataques.  Porem Elias, um dos grandes nomes do jogo, e que já tinha acertado a trave do goleiro Deola, num mortal contra-ataque, fez o primeiro do rubro-negro paranaense.
O rubro-negro baiano foi ao ataque. Mas, aos 17 do segundo tempo, uma armação entre Marcelo e Elias, a bola foi cruzada na área para Marcão. O nosso centroavante Marcão, fazendo jus a seu nome, marcou o segundo e calou o Barrradão. Aí foi só administrar o resultado.
Um leão por dia. Dante está feliz com sua Fiorentina, que está em sexto no campeonato italiano. Virgílio, por outro lado, está feliz com a sua Roma, que subiu de produção nas ultimas rodadas do campeonato italiano. No entanto, ficou meio chateado que não está conseguindo  secar a Lazio, que está em terceiro e, se o campeonato da terra do Cálcio terminasse hoje, estaria classificada para a copa dos campeões da Europa.
Amanhã, no entanto, cesse tudo que a musa antiga canta. Vamos evitar que o Guarani cante sua Ópera no Eco- estádio. Nada de brincadeira. No primeiro turno, no jogo que eu assisti aqui no Brinco De Ouro, entregamos fácil pro Bugre o jogo que estava ganho até os 20 de segundo tempo. E contando ainda com aquele triste espetáculo da briga da Fanáticos com a Zona Sul. Coisa de chorar de vergonha. Aquele jogo, bem me lembro, provocou o começo do fim de Jorginho no comando rubro-negro.
Agora, no entanto, os caminhos para sair do inferno estão mais embolados. Criciúma, Goiás, Vitória e nosso glorioso rubro-negro estão nos sprints finais, seguidos de perto pelo Azulão (xô!) e, lá no inicio da serra de Garuva, perto do rio São João, vê-se o Joinville também na corrida. Nada está decidido.
Nada de fé, nada de esperança. Temos um quase- time, um quase-técnico (nosso Drubsquem?) e, não menos importante, um centroavante que é um marcão, se a bola chega pra ele. Nas terras do Bode-preto, isso não é o bastante, mas pode ser suficiente.
(nossas congratulações ao Sampaio Corrêa, do Maranhão, vencedor da série D; que o inferno da série C lhe pareça uma suave brisa de fim de tarde na feira-mar!)

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

PASSO A PASSO, JOGO A JOGO

Dante & Virgílio chegando à terra de Todos os Santos pra ver Vitória e Atlético; será que estou vendo, no canto inferior esquerdo, o Azulão morrendo na praia?  

Neste infernal caminho das pedras, aquele ditado que cada passo é um passo é de uma verdade daquelas bem verdadeiras. Rimbaud, o autor de “Uma Estadia No Inferno’, um clássico pra quem disputa as segundonas da bola e da vida, nos diz que, nesta travessia pelas terras do Sem-nome, todo nosso tesouro é confiado às feiticeiras, à miséria e ao asco. Quem poderá contestar?
Amanhã o confronto de nosso redivivo escrete será contra o também rubro-negro Vitória da Bahia. Vice-líder, com um invejável retrospecto em casa, o Vitória será uma parada dura para o Drubscky (quem?) e seus comandados. Porem agora, já findando o ano, já podemos dizer que temos um time de segunda.
E a primeira? Calma, amigo leitor: lembre-se, cada passo é um passo. Houve o heróico passo do jogo contra o América Mineiro. Estávamos vindo de empates e da dolorida derrota pro Bragantino em fins de setembro. Foi um jogo épico, com nove gols, e o desempate aos quarenta e nove do segundo tempo, com um gol salvador de Paulo Baier, desde as capitanias hereditárias deixando o seu lá no filó. O América, o Coelho, alias, era um dos lideres do primeiro turno, e nos impingiu uma dolorida derrota de três a dois lá no Independência. Na época eu disse aqui que seria o ponto da virada. Foi? Sei lá, aqui nesta infernal senda não há esperança e cada passo é um passo.
Por ultimo, o Furacão abateu o Avaí no Eco-estádio, por três a um. Agora, estamos só um ponto atrás do quarto dos infernos, o nosso já conhecido Azulão. Que é um time tinhoso e forte, mas que não tem chegada, como já provou sobejamente no passado, inclusive no nosso passado. Hoje, os sãocaetânicos enfrentam o Barueri na Arena Barueri, uma tarefa aparentemente fácil. Mas, secando bem secadinho...
Meus caros Dante Alighieri e Virgílio, especialistas especialmente convidados para analisar as probabilidades do Mais Querido deixar logo o latifúndio (produtivo?) do Capeta e passar para os assentamentos de lona provisórios dos sem-estádio e chegar, no fim da jornada, à Arena Prometida, são taxativos: o caminho para sair do inferno é longo e árduo. E, como eles mesmos já adiantaram, não é fácil ( e não está sendo). Não temos esperança, mas temos algo que pode ser um time.  O jogo lá na Boa Terra vai ser duro.  Mas assim mesmo vamos nós, devagar com nosso andor. O caminho é ruim e lamacento e o santo é feito do mesmo material. Não dá pra arriscar.
Passo a passo, jogo a jogo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES

Ainda fazemos da flor nosso mais forte refrão?
Estive uns dias afastado até do computador, em viagem familiar. Fui a Londrina, no aniversário de uma tia querida. Muito carinho, muita conversa boa, muitas saudades matadas a golpes de cafezinho de dia e cervejinha de noite. Ontem, peguei meu possante e varei o norte do Paraná e boa parte de São Paulo e aqui estou eu de volta, aos afazeres cotidianos. E, é claro, à blogosfera capelista!

ANOTADO!!


Prezado amigo picanço
Proponho que todas as mensagens em que sejam sugestões, principalmente, mas denńcias e insatisfaçõs também, sejam centralizados no blog do Joaodomero.

joaodomero.blogspot.com.br/

e também aqui, para as discussões, pois quando for para o João saber, estaria lá o resultado das discussões, por exemplo.

O mesmo deveria ser feito pra os demais blogs.
O que pensam ?
Seria um controle e um falar registrado direto com o Prefeito,Ele se obriga a prestar contas e divulgar suas intenções, publicar resumo das atividades na semana, e responder sobre o esgoto que fede nas ruas etc. As ações para desentupir os dutos pluviais, and so on
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ANTONINA & ROMA

Robert Christian Ave Lallement (1812-1884)

(...)
Neste pequeno e bonito trato de terra, limitado, assim, pelas serras por três lados, mas lavado ao oeste pelo mar, introduziu este mesmo mar uma mui graciosa e multiforme baia, cuja comunicação com o alto é parcialmente impedida por ilhas, tendo, porem, bastante profundidade para dar livre acesso a navios comerciais.
A fundura da barra mais utilizada para passagem é de 30 pés. A baia propriamente dita oferece excelentes condições portuárias. Na sua margem esquerda, a cidade de Paranaguá, rival, em tamanho e importância, de Curitiba, a capital; na parte ocidental da baia encontramos a vila de antonina, onde entrei precisamente às quatro horas da tarde, de 11 de setembro.
Para quem vem do interior, a vila fica muito escondida; só se avista quando está bem perto.
Nada mais me aborrece do que ver obras, sobretudo vultosas, começadas e inacabadas, fato muito frequente no Brasil l e que procede da santa Engracia de Portugal.
Ao entrar em antonina chega-se a um bonito campo verde, no qual se eleva considerável numero de obras iniciadas: uma igreja, muros de casas, pilares, etc. em torno das paredes destinadas á ruína desde a nascença pastam reses em profunda paz. Evidentemente a planície coberta de fragmentos deve ser o Campo Vaccino de Antonina, o velho Fórum Romanum, e tem com ele acentuada semelhança, apenas com a mesma diferença existente entre Antonina e Roma. Até agora é essa diferença ainda muito notável. Mas quando um dia estiver pronta a Via Appia para Curitiba, poderá Antonina tornar-se – uma cidade de sete colinas.
Por ora há, no centro da cidade, uma bonita colina, de suave ascensão; no seu pico, uma igreja de nossa senhora e o panorama que de lá se descortina é maravilhoso: avista-se a magnifica baia de antonina, na qual a natureza prodigalizou liberalmente seus encantos. Bonita a ampla praça verde do lado esquerdo da igreja.
Belas, em parte, as casas de Antonina que estão terminadas, algumas, aliás, muito vistosas e magnificas, especialmente na Rua Direita. Muitas porem, inacabadas e me causam o aborrecimento a que acima me referi. As possibilidades de um futuro porto – e quando estiver pronta a estrada de Curitiba terá de pensar-se neste porto – são animadoras. O vapor procedente do Rio de Janeiro, em sua visita a baia de Paranaguá, vem também a Antonina.
Causa, pois, a vila de Antonina uma muito boa impressão, de que gozei mais do que convinha. 

(Robert Ave Lallement, medico alemão, morou no Brasil por muitos anos e fez diversas viagens, onde observou os costumes da terra e fez anotações sobre o progresso das colonias alemãs no sul do Brasil. Este trecho mostra sua curta passagem pela Deitada-a-beira-do-mar em setembro de 1858)

HEIN? É ISSO MESMO?

Meu caro Cequinel pôs a boca no trombone (aqui): se foi verdade essa destrambelhação, é algo muito grave. Politica é uma coisa séria, mas também é uma brincadeira. Ninguém, a não ser os muito bestinhas, vai perder a amizade por conta de brigas de politica. Ou vai? É só um jogo pelo poder, meus caros, não precisa ser tão a sério! A sério, na vida, basta o amor pela amada, pelos filhos & pais, e a certeza de que deste mundo nada se leva. Ninguém está aqui pra dar caneladas "reais" ou tornar "difícil" a vida de ninguém. Isso é coisa do tempo de seu Edgard Withers, se é que esse nome diz alguma coisa pro povo de hoje em dia. 
Mesmo porque meu caro amigo Zé Paulo, de quem não tenho procuração para defender, tem luz própria e é uma das pessoas mais inteligentes e educadas que conheço. De fina cepa, diriam outros. Se não caiu nas cruéis provocações que sofreu durante a campanha, não vai cair agora nesse joguinho de intimidação barata. Assim agem as pessoas adultas emocionalmente. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

A CIDADE



Dizes: "vou para outra terra, vou para outro mar.
Encontrarei uma cidade melhor do que esta.
Todo meu esforço é uma condenação escrita,
E meu coração, como o de um morto, está enterrado.
Até quando minha alma vai permanecer neste marasmo?
Para onde olho, qualquer lugar que meu olhar alcança,
Só vejo minha vida em negras ruínas
Onde passei tantos anos, e os destruí e desperdicei”.

Não encontrarás novas terras, nem outros mares.
A cidade irá contigo. Andarás sem rumo
Pelas mesmas ruas. Vais envelhecer no mesmo bairro,
Teu cabelo vai embranquecer nas mesmas casas.
Sempre chegarás a esta cidade. Não esperes ir a outro lugar,
Não há barco para ti.
Como dissipaste tua vida aqui
Neste pequeno lugar, arruinaste-a na Terra inteira.


Contantinos Kaváfis (1863-1933)

(extraído de “Os Órfãos do Eldorado”, de Milton Hatoum)